domingo, 18 de agosto de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Ai, o tempo
Os ingleses continuam constipados (e agora, com o Verão que pelos vistos vai passar férias a outras paragens, também nós ficaremos mais constipados) e os computadores continuam com problemas e eu continuo com muita coisa para dizer por aqui, o tempo é que é tramado. Mas lá vamos andando, devagarinho, e depressa voltarei a estas paragens.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Como trabalhar num documento em equipa com o Google Drive
Por vezes, uma equipa precisa de trabalhar num determinado documento em conjunto.
- Solução má (mas que quase toda a gente usa): alguém faz um documento em Word, envia para os membros da equipa, e todos fazem os seus comentários em separado. Consequência: os comentários perdem-se, alguém tem de andar a juntar aquilo tudo, os erros multiplicam-se, a equipa fica irritada porque cada um fez comentários que os outros ignoram, porque a certa altura já estão a trabalhar numa versão que ninguém sabe qual é... Enfim, um desastre.
- Solução um pouco melhor: alguém cria um documento no Google Drive (ou carrega um documento pré-existente) e todos podem comentar, responder a comentários, ver as alterações, reverter alterações, tudo no mesmo local e sem qualquer dificuldade.
Como criar um documento partilhável no Google Drive?
- Acedemos a http://drive.google.com. (Convém ter uma conta Google/Gmail.)
- Entramos na conta com o nosso utilizador e palavra-passe.
- Criamos um documento ("Create") ou fazemos o carregamento (seta ao lado de "Create").
Pronto, já temos um documento partilhável. E agora?
Antes disso, um truque para que isto seja ainda mais fácil.
Partilhar um documento recebido por email.
Se alguém nos enviar um documento por email, podemos começar a editá-lo sem o descarregar. O truque é este: carregamos em "Visualizar".
Aparece o documento, com as seguintes opções:
Carregamos em "Edit online".
O documento passa a estar editável na nossa Google Drive.
O que podemos fazer com o documento que temos na Google Drive?
Podemos partilhá-lo, comentá-lo, editá-lo, tudo em equipa, com cores diferentes para distinguir os vários participantes.
É possível criar comentários e responder aos comentários dos outros. As edições podem ser simultâneas, podemos conversar com os outros utilizadores num chat dedicado, ao lado do próprio documento, podemos guardar as várias versões e voltar atrás, etc.
A esta hora da manhã, não consigo entrar em diálogo com ninguém para exemplificar, mas vou comentar o documento, para verem como fica:
Quando a questão está resolvida, é só carregar em "Resolve" (canto superior direito da caixa de comentários) e os comentários relativos àquele ponto desaparecem.
Opções de partilha
Para partilhar, carregamos em "Partilhar"/"Share" e temos várias opções: ou podemos partilhar com o mundo inteiro ("Public on the web"), apenas com as pessoas que seleccionarmos ("Private") ou apenas com as pessoas que tiverem um determinado link, complexo, que serve como palavra-passe (mas que, se for descoberto por acidente, permite o acesso ao documento) — "Anyone with the link".
Claro que para documentos mais importantes ou confidenciais, convém escolher a opção "Private".
Garanto que esta forma de colaborar é muito mais simples do que o habitual "vamos todos trocar tantos emails que a certa altura já ninguém sabe a quantas anda".
Fica o conselho. Qualquer ideia ou sugestão será bem-vinda!
Nota final: claro que há outras opções para fazer este tipo de partilha: o SkyDrive ou Sharepoint, e muitos outros serviços semelhantes. O Gmail, no entanto, tornou-se o email mais usado. Assim, com vista a ser útil ao maior número possível de pessoas, escolhi o Google Drive.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
O meu bairro
Escrevi aqui qualquer coisa sobre o aniversário da Expo.
"Um bairro é apenas um sítio onde estão pessoas e as pessoas são o importante. O meu verdadeiro bairro é muito maior do que este local à beira-rio. São os meus amigos, a minha família (espalhada pelo país), os meus colegas e até os meus conhecidos — e das minhas viagens. O meu bairro inclui grande parte de Lisboa, muitas ruas de Peniche e de Ponte de Sor, algumas de Leiria, ruas do Porto, ruas de Cambridge, e inclui até partes da Amadora, da Parede, de V. N. de Santo André e de outras de que agora não me lembro — e ainda Paris, Barcelona, Londres e todos os sítios que já passei ou quero passar. Mas, claro, o meu bairro tem uma praça central, onde vivo, que vejo da minha janela — e essa praça central faz hoje 15 anos."
"Um bairro é apenas um sítio onde estão pessoas e as pessoas são o importante. O meu verdadeiro bairro é muito maior do que este local à beira-rio. São os meus amigos, a minha família (espalhada pelo país), os meus colegas e até os meus conhecidos — e das minhas viagens. O meu bairro inclui grande parte de Lisboa, muitas ruas de Peniche e de Ponte de Sor, algumas de Leiria, ruas do Porto, ruas de Cambridge, e inclui até partes da Amadora, da Parede, de V. N. de Santo André e de outras de que agora não me lembro — e ainda Paris, Barcelona, Londres e todos os sítios que já passei ou quero passar. Mas, claro, o meu bairro tem uma praça central, onde vivo, que vejo da minha janela — e essa praça central faz hoje 15 anos."
A palavra "Metro"
Este blogue herda também a função do blogue Certas Palavras, e como primeira palavra dessas certas palavras, temos Metro. (Isto porque hoje andei de metro — o que é mais raro do que devia, mas sobre isso falarei mais tarde.)
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| http://11870.com/pro/metro-do-porto/media/460155eb |
Pensemos um pouco na palavra. O que quer dizer "metro"? É uma concatenação da palavra "metropolitano" e, se quisermos ser literais, significa apenas um comboio metropolitano, com a configuração que lhe quisermos dar. Mas o que é um comboio metropolitano? Vejamos a missão do Metropolitano de Lisboa: "Prestar um Serviço de Transporte Público de Passageiros, em modo metro, orientado para o cliente, promovendo a mobilidade sustentável." O que raios é o modo metro? Será, digo eu, um comboio que não esteja misturado com o trânsito, com vias próprias — distinguindo-se do eléctrico... —, que seja rápido e adaptado à vida em cidade. Um comboio que permita viajar rapidamente pela cidade. O Metro do Porto permite viajar rapidamente pela cidade. Julgo que sim.
Mas escavemos mais fundo. Não tive tempo para tirar tudo a limpo, mas o nome do Metropolitano tem origem na tradição ocidental de chamar aos comboios do centro urbano (quase sempre subterrâneos) de metropolitanos. Esta palavra, instituída para o Metropolitano de Paris (e quase tods que vieram a seguir), teve a primeira incarnação na Metropolitan Line do London Underground (que, curiosamente, como se vê, é um dos poucos metropolitanos que não se chama "metropolitano").
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| https://en.wikipedia.org/wiki/File:Paris_Metro_Sign.jpg |
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| https://en.wikipedia.org/wiki/File:Underground.svg |
Ora, em inglês, poderíamos talvez dizer dizer que ou é debaixo de terra ou não é Underground coisa nenhuma. Afinal, em Londres, existem linhas sobreterrâneas (isto existe?) com o nome overground. Sim, existe o London Overground!
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| London Overground http://www.tfl.gov.uk/corporate/modesoftransport/londonrail/15360.aspx |
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| https://en.wikipedia.org/wiki/File:Overground_roundel.svg |
Aqui está o busílis: o metro mais antigo não se chama metro (chama-se Underground, ou Tube para os amigos) e este metro mais antigo (que não se chama metro...) é por natureza um comboio que anda debaixo de terra. Assim, os europeus ficaram com a ideia que um metro tem de estar bem enterrado, senão, não é metro coisa nenhuma. Mas, no fundo, se virem bem, o London Overground é apenas mais um sistema de... metro de Londres.
Portanto, o metro é um comboio dos centros urbanos, geralmente enterrado (mas não necessariamente). O Porto criou um sistema de metro urbano (e suburbano), com partes significativas debaixo de terra (e outras por cima de pontes) e decidiu chamar-lhe metro. Nada a dizer. Se o Metropolitano de Lisboa começasse a expandir-se pelos subúrbios (como, aliás, já começou) e o fizesse à superfície, não deixaria de ser o Metropolitano de Lisboa...
Uma amiga minha, perante esta argumentação toda, disse-me apenas: "tudo bem, mas o Metro do Porto é um eléctrico, ponto final". Cada um com a sua...
E pronto, para não dizerem que vão daqui sem nada, ficam duas recomendações: leiam o belíssimo primeiro romance de Julian Barnes, Metroland, nome que se refere à zona a noroeste de Londres "banhada" pela Linha Metropolitana (a linha mais antiga do Underground e que tem uma grande porção por cima de terra, o que só complica as coisas e mostra que até o Underground pode ser à superfície, isto numa cidade que tem um Overground — que se calhar, às vezes, também desce às catacumbas londrinas, só para irritar). Mas, descansem, o romance de Julian Barnes não tem muito a ver com o metro, tem muito mais a ver com o Maio de 68, com Paris, com a amizade e com o crescimento. Um romance de aprendizagem, como muitos, só que muito bom.
Para quem gosta mesmo de subterrâneos, leia London Under de Peter Ackroyd (o autor de London, a Biography). Mais tarde falarei deste livro com mais tempo. Quando era pequeno, sonhava ter um subterrâneo (talvez fosse porque lia muito os Cinco) e este livro é delicioso. Nem imaginam o que está por baixo duma cidade como Londres. Ou talvez até façam alguma ideia... Mas será uma ideia errada, quase de certeza. A realidade é bem mais espantosa do que possamos imaginar.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Os smart phones e o desconcerto do mundo
Há pouco as televisões estavam a dizer que um dos produtos de consumo que os portugueses consumem cada vez mais, ao contrário de quase tudo o resto, são os smart phones. Obviamente, os comentários (e o tom dos jornalistas) vão todos no sentido de que isto é prova do desconcerto do mundo (que só quem não leu Camões acha que é uma sensação nova).
Ou seja: os portugueses compram cada vez mais smart phones? Então é porque os portugueses são doidos.
Na realidade, isto não prova que os portugueses estejam tontos, a comprar smart phones e a poupar no pão. Apenas que os smart phones são cada vez mais baratos e substituem hoje os telemóveis menos smart. Ou seja, quando alguém queria um telemóvel, há uns 5 anos ia a uma loja e levava um telemóvel não smart por 100 euros. Hoje, vai a uma loja e leva um telemóvel smart por uns 80. É bem provável (mas não tenho os dados...) que o consumo em termos de valor gasto, no global, seja agora menor.
Mas, claro, a notícia dita como as televisões a dizem ("compram-se cada vez mais smart phones") é mais engraçadita, mais ao estilo do nacional-comentário, mais no sentido da opinião comum de que está tudo doido. E muitos destes comentadores do está-tudo-doido-porque-todos-têm-smartphones comentam de smart phone no bolso, claro.
Ou seja: os portugueses compram cada vez mais smart phones? Então é porque os portugueses são doidos.
Na realidade, isto não prova que os portugueses estejam tontos, a comprar smart phones e a poupar no pão. Apenas que os smart phones são cada vez mais baratos e substituem hoje os telemóveis menos smart. Ou seja, quando alguém queria um telemóvel, há uns 5 anos ia a uma loja e levava um telemóvel não smart por 100 euros. Hoje, vai a uma loja e leva um telemóvel smart por uns 80. É bem provável (mas não tenho os dados...) que o consumo em termos de valor gasto, no global, seja agora menor.
Mas, claro, a notícia dita como as televisões a dizem ("compram-se cada vez mais smart phones") é mais engraçadita, mais ao estilo do nacional-comentário, mais no sentido da opinião comum de que está tudo doido. E muitos destes comentadores do está-tudo-doido-porque-todos-têm-smartphones comentam de smart phone no bolso, claro.
Agora a sério: parem lá com isso!
Se virem uma coisa destas no mural dum amigo vosso...
não partilhem, não "gostem", não digam nada, mandem uma mensagem privada ao vosso amigo a dizer para ter juízo.
Se têm dúvidas, esperem uns dias, e ponho aqui um post a explicar porquê. Mas, por enquanto, vão por mim: isto é uma boa treta, que pega nos medos actuais para criar uma epidemia que, se não faz mal a ninguém, mostra quão ingénuos somos todos. Quais medos? O medo das grandes empresas, o medo dos custos escondidos, o medo da perda de privacidade — tudo medos legítimos e, em muitos casos, com boas bases, mas que neste caso se conjugam para nos levar a partilhar a parvoíce mais pateta. Ninguém está livre disto...
(Só uma pergunta, para lá de tudo o resto: porque carga de água iria o Facebook isentar do pagamento de qualquer taxa um utilizador só porque colávamos um textito no nosso perfil?)
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Não há tempo para tudo...
E por isso vou ter de juntar vários projectos blogueiros neste poiso, já com novo nome:
- Certas Palavras
- O Caçador de Disparates
- Bicionário
- Ingleses Constipados (mais antigo)
Nem ponho aqui as ligações, para os fechar. Entretanto, trago os posts todos para aqui (a tentação reptiliana — dizem — de juntar tralha até aqui se manifesta).
Hábitos e tal
Não posso aconselhar, porque ainda não li, mas está na pilha, apesar de soar muito a "self-help". Enfim, o "self-help" às vezes até pode ajudar. Nunca se sabe...
Para um tradutor, os hábitos são importantes: porque é preciso alguma disciplina para trabalhar em tradução (principalmente por conta própria) e porque muito do que fazemos equivale a conhecer muito bem os hábitos linguísticos dos falantes da língua de chegada. Claro que este livro não fala disso, mas será útil para quem precisa de mudar de hábitos. Tradutor ou não...
Mas tu mudaste o título ao blogue?
— Sim, eu sei, isso não se faz.
— Não se faz mesmo! Ainda por cima, dás tu conselhos sobre computadores e não sei que mais. Grande gaffe!
— Tudo bem, admito. Não se deve fazer isto. Mas apeteceu-me.
— Porquê?
— Porque queria este título.
— Que não quer dizer nada.
— Alguma coisa quer dizer. E já o tinha usado. Foi uma espécie de recaída.
— Nem sei o que dizer.
— Não digas nada.
— Não se faz mesmo! Ainda por cima, dás tu conselhos sobre computadores e não sei que mais. Grande gaffe!
— Tudo bem, admito. Não se deve fazer isto. Mas apeteceu-me.
— Porquê?
— Porque queria este título.
— Que não quer dizer nada.
— Alguma coisa quer dizer. E já o tinha usado. Foi uma espécie de recaída.
— Nem sei o que dizer.
— Não digas nada.
O que quer dizer Lisboa?
Que pergunta tão parva, dirão alguns. Aliás, dirão muitos. Quase todos.
Mas tem razão de ser. Lisboa quer dizer coisas diferentes para pessoas diferentes.
Para começar, quer dizer "capital de Portugal". E outras coisas: "capital do distrito de Lisboa", etc. Mas isto, no fundo, não explica nada. Fisicamente, a que se refere a palavra Lisboa?
Alguns dirão que a pergunta é estúpida, não só porque todos sabem o que quer dizer Lisboa, mas porque o referente duma determinada palavra é uma espécie de mito. As palavras não se referem a nada. São peças dum sistema que só significam no âmbito desse sistema. (Esta opinião é um vírus que provocou umas epidemias há umas décadas, mas já está a passar. Nem foi preciso vacina.)
Pois bem, pensem lá então no que quer dizer Lisboa.
A cidade. Muito bem. Pensemos nessa cidade. Onde acaba? Nos limites do concelho de Lisboa? Os limites são bem conhecidos e, para dizer a verdade, sofreram uma alteração há pouco tempo que teve dedo de quem escreve estas linhas (e de muitos, muitos outros, claro).
Mas será isso? Quer então dizer que quem vive em Moscavide não vive em Lisboa? Muitos lisboetas diriam que sim: quem vive em Moscavide vive em Moscavide, não vive em Lisboa. Qual é a dúvida? A dúvida, amigos, é que se perguntarem a uma pessoa do resto do país se Moscavide é Lisboa, essa pessoa irá fazer cara de espanto: a resposta é óbvia e é sim.
Pois, entendamo-nos: às vezes, quando dizemos Lisboa, queremos dizer um território (e tudo o que está por cima e por baixo), com os limites do concelho. Mas também queremos dizer uma centralidade, um nome que foi sendo dado a uma cidade e um concelho cujos limites foram sendo alterados ao longo do tempo. Sobral de Monte Agraço já fez parte do concelho de Lisboa!
Lisboa também quer dizer toda a área urbana, todo o aglomerado, toda a Grande Lisboa. É disto que falam os não lisboetas quando falam de Lisboa. Às vezes, dizem: "não gosto nada de Lisboa" e querem dizer apenas "não gosto nada de grandes cidades". Ou algo do género.
E Lisboa quer dizer também o centro do poder. Quando um madeirense fala do poder de Lisboa, não fala da cidade, do território, nem sequer dos lisboetas. Fala dum conjunto de instituições cujas sedes até estão, na sua maioria, dentro do concelho de Lisboa, mas isso é algo secundário.
Depois, Lisboa quer dizer também todo o conjunto de ideias, frases-feitas, poemas, romances, investigações, estatísticas, pessoas, visitantes, fotografias, relatos, ódios e amores — e tudo o mais de que se faz uma cidade.
Respostas certas há muitas. A resposta mais errada que conheço é dizer "Lisboa é isto que estou a dizer, e não há discussão". Para o mal e para o bem, há sempre discussão.
(Já agora, lisboeta, o que quer dizer?)
Mas tem razão de ser. Lisboa quer dizer coisas diferentes para pessoas diferentes.
Para começar, quer dizer "capital de Portugal". E outras coisas: "capital do distrito de Lisboa", etc. Mas isto, no fundo, não explica nada. Fisicamente, a que se refere a palavra Lisboa?
Alguns dirão que a pergunta é estúpida, não só porque todos sabem o que quer dizer Lisboa, mas porque o referente duma determinada palavra é uma espécie de mito. As palavras não se referem a nada. São peças dum sistema que só significam no âmbito desse sistema. (Esta opinião é um vírus que provocou umas epidemias há umas décadas, mas já está a passar. Nem foi preciso vacina.)
Pois bem, pensem lá então no que quer dizer Lisboa.
A cidade. Muito bem. Pensemos nessa cidade. Onde acaba? Nos limites do concelho de Lisboa? Os limites são bem conhecidos e, para dizer a verdade, sofreram uma alteração há pouco tempo que teve dedo de quem escreve estas linhas (e de muitos, muitos outros, claro).
Mas será isso? Quer então dizer que quem vive em Moscavide não vive em Lisboa? Muitos lisboetas diriam que sim: quem vive em Moscavide vive em Moscavide, não vive em Lisboa. Qual é a dúvida? A dúvida, amigos, é que se perguntarem a uma pessoa do resto do país se Moscavide é Lisboa, essa pessoa irá fazer cara de espanto: a resposta é óbvia e é sim.
Pois, entendamo-nos: às vezes, quando dizemos Lisboa, queremos dizer um território (e tudo o que está por cima e por baixo), com os limites do concelho. Mas também queremos dizer uma centralidade, um nome que foi sendo dado a uma cidade e um concelho cujos limites foram sendo alterados ao longo do tempo. Sobral de Monte Agraço já fez parte do concelho de Lisboa!
Lisboa também quer dizer toda a área urbana, todo o aglomerado, toda a Grande Lisboa. É disto que falam os não lisboetas quando falam de Lisboa. Às vezes, dizem: "não gosto nada de Lisboa" e querem dizer apenas "não gosto nada de grandes cidades". Ou algo do género.
E Lisboa quer dizer também o centro do poder. Quando um madeirense fala do poder de Lisboa, não fala da cidade, do território, nem sequer dos lisboetas. Fala dum conjunto de instituições cujas sedes até estão, na sua maioria, dentro do concelho de Lisboa, mas isso é algo secundário.
Depois, Lisboa quer dizer também todo o conjunto de ideias, frases-feitas, poemas, romances, investigações, estatísticas, pessoas, visitantes, fotografias, relatos, ódios e amores — e tudo o mais de que se faz uma cidade.
Respostas certas há muitas. A resposta mais errada que conheço é dizer "Lisboa é isto que estou a dizer, e não há discussão". Para o mal e para o bem, há sempre discussão.
(Já agora, lisboeta, o que quer dizer?)
domingo, 19 de maio de 2013
Será que o Facebook me vai deixar partilhar isto?
Amigos e curiosos e outras pessoas que por aqui caem desprevenidos: já repararam que o Google Plus é mais bonito e mais fácil e tudo o mais do que o Facebook? Só que, enfim, não tem o picante do Facebook, porque lhe faltam as pessoas. É uma espécie de Facebook bem-comportado. Mas vale a pena experimentar nem que seja para perceber o que é um Facebook clean e lean.
(— "Fala português, pá!"
— "Tudo bem: para perceber o que é um Livroface limpo e leve. Está bom assim?")
(— "Fala português, pá!"
— "Tudo bem: para perceber o que é um Livroface limpo e leve. Está bom assim?")
A relação erótica entre línguas
Pois que com este título as "línguas" que muitos imaginam serão outras — mas, não, este post tem mesmo a ver com línguas-idioma e não com línguas-órgão.
Na sexta-feira, fui assistir a uma conferência de Manuel Rivas, no Instituto Cervantes, por ocasião do Día das Letras Galegas. (Já agora, o "í" está correcto, porque este nome está em galego, por mais português que possa parecer aos desprevenidos.)
Fui com alguns alunos e, para alguns, uma das curiosidades da conferência foi ouvir alguém a falar em galego, aquele idioma rumorejante que para um português soa a português bem nortenho misturado com um não sei quê de Brasil e de floresta brumosa e de vogais bem mais cheias do que as nossas.
Pronto, temos de admitir: soa também muito a português falado por um espanhol, mas isso é porque temos os ouvidos pouco treinados. No final da conferência, um aluno mexicano disse-me que nunca tinha ouvido ninguém a falar galego e que, por momentos, pensou ser uma tentativa frustada de falar português. Mas, felizmente, alguém o desenganou rapidamente...
As histórias que Manuel Rivas contou ficarão para quem lá esteve. Fomos desde as agruras da Cultura desde o Iluminismo até às agruras dum vedor honesto à procura de água em volta da casa dos pais do escritor.
Mas vamos então à tal relação erótica entre línguas. Os alunos de uma das disciplinas que dou estão a fazer um trabalho de investigação sobre tradução. Uma das alunas (uma senhora cultíssima com quem aprendo muito mais do que ensino) está a estudar, para esse trabalho, a auto-tradução e, assim, perguntou a Manuel Rivas que sensações tinha ao traduzir os seus próprios textos para castelhano.
Manuel Rivas contou um episódio curioso relacionado com um dos livros que auto-traduziu, para explicar como tinha sido difícil traduzir um episódio concreto, que só lhe saía bem em galego, por ser a língua em que tinha as recordações em que se baseara para o escrever. Mas logo explicou que, depois de deixar o capítulo repousar um pouco, a tradução saiu-lhe naturalmente. Continuou a dizer que, para ele, a relação entre línguas "é uma relação erótica, não competitiva, uma relação sinestética e que alarga o olhar" (cito de cor).
Ora aqui está uma frase que não deixa de ser saborosa para um tradutor: trabalhamos no local onde as línguas têm relações eróticas e o que fazemos alarga o olhar (a "mirada").
Ouvir Manuel Rivas também alarga a mente e o olhar — e alarga-nos o ouvir, com as cócegas que faz nos ouvidos uma língua tão próxima da nossa como o galego.
Na sexta-feira, fui assistir a uma conferência de Manuel Rivas, no Instituto Cervantes, por ocasião do Día das Letras Galegas. (Já agora, o "í" está correcto, porque este nome está em galego, por mais português que possa parecer aos desprevenidos.)
Fui com alguns alunos e, para alguns, uma das curiosidades da conferência foi ouvir alguém a falar em galego, aquele idioma rumorejante que para um português soa a português bem nortenho misturado com um não sei quê de Brasil e de floresta brumosa e de vogais bem mais cheias do que as nossas.
Pronto, temos de admitir: soa também muito a português falado por um espanhol, mas isso é porque temos os ouvidos pouco treinados. No final da conferência, um aluno mexicano disse-me que nunca tinha ouvido ninguém a falar galego e que, por momentos, pensou ser uma tentativa frustada de falar português. Mas, felizmente, alguém o desenganou rapidamente...
As histórias que Manuel Rivas contou ficarão para quem lá esteve. Fomos desde as agruras da Cultura desde o Iluminismo até às agruras dum vedor honesto à procura de água em volta da casa dos pais do escritor.
Mas vamos então à tal relação erótica entre línguas. Os alunos de uma das disciplinas que dou estão a fazer um trabalho de investigação sobre tradução. Uma das alunas (uma senhora cultíssima com quem aprendo muito mais do que ensino) está a estudar, para esse trabalho, a auto-tradução e, assim, perguntou a Manuel Rivas que sensações tinha ao traduzir os seus próprios textos para castelhano.
Manuel Rivas contou um episódio curioso relacionado com um dos livros que auto-traduziu, para explicar como tinha sido difícil traduzir um episódio concreto, que só lhe saía bem em galego, por ser a língua em que tinha as recordações em que se baseara para o escrever. Mas logo explicou que, depois de deixar o capítulo repousar um pouco, a tradução saiu-lhe naturalmente. Continuou a dizer que, para ele, a relação entre línguas "é uma relação erótica, não competitiva, uma relação sinestética e que alarga o olhar" (cito de cor).
Ora aqui está uma frase que não deixa de ser saborosa para um tradutor: trabalhamos no local onde as línguas têm relações eróticas e o que fazemos alarga o olhar (a "mirada").
Ouvir Manuel Rivas também alarga a mente e o olhar — e alarga-nos o ouvir, com as cócegas que faz nos ouvidos uma língua tão próxima da nossa como o galego.
| Manuel Rivas (fonte: Wikipédia). |
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Lista de verificação para entregas de traduções por email
Versão 0.5
Sugestões?
Comente esta mensagem. Obrigado!
Depois de rever e antes de criar a mensagem de
entrega:
☐ Ler as instruções do cliente.
☐ Abrir o ficheiro final e
olhar para todas as páginas.
☐ Correcção ortográfica do
ficheiro.
☐ Criar mensagem de
entrega.
A mensagem de entrega já está escrita:
☐ O projecto está referido de forma bem visível.
☐ Abrir o anexo para termos a
certeza de que está lá.
☐ Releitura e correcção
ortográfica da mensagem de entrega.
☐ O email é o correcto?
☐ É necessário
colocar mais endereços em CC?
Algumas horas depois de enviar:
☐ O cliente confirmou?
☐ Enviar factura ou assinalar
para facturação mensal.
☐ Actualizar bases de dados.
☐ Arquivar
ficheiros.
Para quem gosta de aprender porque sim
Para quem gosta de aprender porque sim e gostava de andar nas melhores universidades do mundo, pode usar esta ferramenta:
Diálogo
— Mas tu estás a passar-te? Que raio de tamanho de letra é este?
— É pá, o importante é o conteúdo.
— Não sejas tonto, o conteúdo só é importante se o conseguirmos ler!
— Sim, ocâi, mas o importante é a lista de verificação lá em baixo.
— Então, troca, põe a lista em cima e a nota em baixo.
— Sim, eu compreendo, mas agora já está, não vou alterar o post.
— Tudo bem, mas que não se repita! E, já agora, nunca mais escrevas "ocâi" em vez de "OK", ok?
— É pá, o importante é o conteúdo.
— Não sejas tonto, o conteúdo só é importante se o conseguirmos ler!
— Sim, ocâi, mas o importante é a lista de verificação lá em baixo.
— Então, troca, põe a lista em cima e a nota em baixo.
— Sim, eu compreendo, mas agora já está, não vou alterar o post.
— Tudo bem, mas que não se repita! E, já agora, nunca mais escrevas "ocâi" em vez de "OK", ok?
Lista para ler antes de entregar um trabalho de tradução
Ora, eu devia ter um blogue só para assuntos de tradução. Outro para posts sobre livros. Outro para outros assuntos. Mas como não tenho tempo e isto não é um blogue profissional, não vou cumprir uma das boas práticas na escolha de temas para blogues: limitarmo-nos a um tema. Acima de tudo, gostava que este blogue fosse útil para quem o ler (e não excessivamente aborrecido). Enfim, esta prelecção toda só para dizer que vou escrever uma coisa que se dirige a tradutores, ou melhor, a futuros tradutores. Vem isto na sequência duma aula que dei sexta-feira passada (da disciplina de divertidíssimo nome "Prática da Tradução em Assuntos Empresariais de Espanhol para Português), em que falámos de procedimentos mínimos para um tradutor freelance. Ou seja, aquilo que um tradutor nunca deve deixar de fazer. Prometi que iria dar-lhes a lista por escrito, e podia fazer um PowerPoint, um PDF, um ficha e dar-lhes através do Moodle, mas, enfim, esta lista é útil para mais pessoas e aqui fica, publicamente, a sua parte final (o resto irá mais tarde). Se alguém tiver alguma sugestão, já sabe o que tem a fazer...
(Já agora, perante isto, haverá quem diga: mas quando traduzes fazes sempre isto tudo? Se não faço, devia. Já falhei nalguns pontos destes. Por isso, digo: não falhem... E mesmo que não façam uma vez e a coisa corra bem [ou façam tudo e a coisa corra mal], não se esqueçam que isto são estratégias para diminuir ao mínimo o risco das coisas correrem mal. Não são eficazes a 100%.)
Tudo o que vem já a seguir tem muito que se lhe diga. Mas esses pormenores ficaram na aula. Alguma vantagem tem de haver em ser aluno de tradução...
Ler esta lista antes de enviar uma tradução já feita e revista
a) Ler de novo as instruções do cliente (que convinha estarem concentradas num só local, organizado por nós; não podemos esperar que o cliente seja organizado).
a) Criar os ficheiros finais (conversões, etc.).
c) Abrir o ficheiro no formato final, de entrega, e olhar para todas as páginas à procura de imagens ou partes de texto por traduzir — ou, se o formato de entrega for bilingue, abrir num formato diferente daquele em que traduzimos (por exemplo, em Word, se traduzimos em Trados ou memoQ).
d) Usar o corrector ortográfico uma vez mais (já devia ter sido utilizado no momento da revisão).
e) Escrever a mensagem de entrega em resposta a uma mensagem do cliente e verificar:
Depois de entregar
a) Confirmar que o cliente recebeu a tradução.
b) Arquivar no local correcto e actualizar a lista de projectos.
c) Enviar a factura (ou assinalar na lista para facturação mensal) em mensagem separada.
E, depois, responder a eventuais dúvidas... Mas isso fica para depois.
(Já agora, perante isto, haverá quem diga: mas quando traduzes fazes sempre isto tudo? Se não faço, devia. Já falhei nalguns pontos destes. Por isso, digo: não falhem... E mesmo que não façam uma vez e a coisa corra bem [ou façam tudo e a coisa corra mal], não se esqueçam que isto são estratégias para diminuir ao mínimo o risco das coisas correrem mal. Não são eficazes a 100%.)
Tudo o que vem já a seguir tem muito que se lhe diga. Mas esses pormenores ficaram na aula. Alguma vantagem tem de haver em ser aluno de tradução...
Ler esta lista antes de enviar uma tradução já feita e revista
a) Ler de novo as instruções do cliente (que convinha estarem concentradas num só local, organizado por nós; não podemos esperar que o cliente seja organizado).
a) Criar os ficheiros finais (conversões, etc.).
c) Abrir o ficheiro no formato final, de entrega, e olhar para todas as páginas à procura de imagens ou partes de texto por traduzir — ou, se o formato de entrega for bilingue, abrir num formato diferente daquele em que traduzimos (por exemplo, em Word, se traduzimos em Trados ou memoQ).
d) Usar o corrector ortográfico uma vez mais (já devia ter sido utilizado no momento da revisão).
e) Escrever a mensagem de entrega em resposta a uma mensagem do cliente e verificar:
- Referimos que projecto estamos a entregar?
- Estamos a enviar para o email certo?
- O cliente pediu para colocar algum email em CC?
- Colocámos o anexo na mensagem?
Pronto. Estamos prontos. Toca a carregar em:
Depois de entregar
a) Confirmar que o cliente recebeu a tradução.
b) Arquivar no local correcto e actualizar a lista de projectos.
c) Enviar a factura (ou assinalar na lista para facturação mensal) em mensagem separada.
E, depois, responder a eventuais dúvidas... Mas isso fica para depois.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Como criar um site bonito em poucos minutos
Quem precisa dum site, mas não tem tempo nem dinheiro para grandes conteúdos, pode usar este serviço elegante: https://www.strikingly.com/.
Um site, uma página, um bom efeito. Fica aqui como ideia.
Um site, uma página, um bom efeito. Fica aqui como ideia.
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